segunda-feira, 16 de maio de 2016
Uma História Colaborativa
Você já pensou em escrever uma história em parceria com outra ou outras pessoas de forma que cada uma escrevesse um parágrafo? Sem se comunicarem ou conversarem sobre a mesma? Pois é, na última aula realizamos esta tarefa.
Fazendo uso do Google Groups, o primeiro parágrafo foi elaborado pelo trio, a partir daí, numa sequência definida previamente, cada um acrescentava um parágrafo, dando continuidade a história e enviava para o grupo, o autor seguinte, lia, elaborava seu parágrafo e enviava novamente para o grupo, até finalizar a história.
Um fato me impressionou, a criatividade despertada pelo inesperado, pelas informações adicionadas pelos colegas. Enquanto os colegas escreviam o parágrafo correspondente, eu ficava elaborando o meu, quando chegava a minha vez, ao ler a história, o enredo já havia tomado outro rumo e o parágrafo escrito previamente não se encaixava mais, tinha de ser descartado ou reescrito. Em outros momentos, parecia uma fábrica de ideias, ao ler o último parágrafo adicionado por um dos colegas, informações apareciam na mente como pedindo para serem colocadas na sequência. Acho que na realização desta atividade, consegui literalmente desbloquear meu cérebro. Que isso aconteça mais vezes :)
Segue a história:
Gênero: Aventura/Comédia
Título: Uma Aula Quase Virtual
coletivo:
Era terça de manhã, uma terça chuvosa, escura, quando acordaram bem dispostos, os três alunos de mestrado. A aula virtual matinal estava para começar. João se esquivava das goteiras do seu quarto, enquanto tomava três garrafas de café. A cafeína no sangue era tanta que ele já nem sabia se era água que pingava ou se ele era o Neo na Matrix, desviando das balas.
Autor 01:
Enquanto isso, Pedrinho que ficara até a madrugada caçando jacarés, se preparava para a reunião "online". Observava, com desejo, o cacho de banana pacovan que ganhou dos seus amigos amazonenses. Nem percebeu, com isso, que sua rede estava intermitente com a chuva que assolava a região (os bits se afogavam rapidamente).
Autor 02:
Depois de tomar o seu café, João ficou pensando na sua cidade natal. A famosa cidade de Maconha, onde ele de vez em quando fumava Iconha com os amigos perto do lago. Mas sua a aula online já ia começar e esses pensamentos tinham que ficar para outro momento.
Autor 03:
Pedrinho já colocara sua mesinha com seu computador sobre a cama e puxara um "gato" do meio metro de fio que pendia do teto, pois a água já atingira a tomada próximo ao chão de seu quarto. As bananas pacovan também já estavam submersas. João vez por outra, dava um pirueta e virava no ar, desviando das balas deferidas contra ele do teto, afinal, quem poderia imaginar que três garrafas de café teria efeito alucinógeno? Manel ainda não aparecera no ambiente virtual, será que se afogara?
Autor 01:
Talvez não. Na verdade, Manel precisava sair de casa para ir trabalhar, de barco (a chuva estava impossível...). Só pensava em abandonar a aula, desde às oito da manhã, e nadar como se não houvesse amanhã até o seu trampo. Foi quando Pedrinho iniciou uma chamada do Hangouts com ele. "B-om Di-ia-aa", ouviu a fala atrapalhada de Pedrinho com os bits já sendo digeridos pelos peixes.
Autor 02:
Logo depois o João e o professor Nené entraram no Hangout também e aula virtual de fato começou. Mas o professor Nené fez o seguinte questionamento: "o que diferencia o real do virtual? Será que essa aula que chamamos de virtual não é a real e nossas vidas que são virtuais?". Nesse momento Pedrinho até esqueceu do jacaré que tinha caçado pela manhã.
Autor 03:
Manel ainda lutava para se desprender da cama. Finalmente acordado, sentado em frente ao computador, ainda relutava em aceitar o convite para a vídeo-aula. Sua namorada, inconformada em não poder ficar na cama naquela manhã tempestuosa, se aproximou e sentou em seu colo, sussurrava coisas em seu ouvido, lhe beijava. Manel, sonolento, se empolgou, movimentos mais bruscos surgiram, a mesa a sua frente balançou, o mouse se moveu, o convite para a aula foi aceito, tudo foi transmitido. Será isso o que chamam de namoro virtual? Enquanto isso, na piscina do Pedrinho, quer dizer, na casa do Pedrinho, a água já chegava a 20 centímetros, na cozinha havia uma saco plástico rasgado, vazio. Será que havia um jacaré ali?
Autor 01:
Sim, havia. Mas o bicho já estava nadando livremente na piscina, fazendo cócegas nos pés de Pedrinho. O rapaz pensou que fosse a cachorra que sua amiga do Norte, Sandrinha havia mandado como lembrança. Acabou falando com o microfone aberto a seus colegas: "isso, lambe, cadela... delícia de papai...". Perplexo com a situação e imaginando coisas eróticas, o professor volta ao questionamento: "o que pode ser considerado virtual?? a cadela... digo...". A aula já estava deveras comprometida. João, esse sim, estava num mundo virtual.
Autor 02:
Essa pequena e inofensiva cadelinha que foi enviada pela Penha era um ser que controlava tudo na vida desses três pobres alunos de mestrado. Isso poderia ser percebido pela forma que a cadelinha olhava tudo que acontecia. Mas já era tarde demais.
Autor 03:
A cadelinha foi pega de surpresa coitada, nem teve tempo de se defender. Pedrinho, no ápice de sua concentração, começou a responder a pergunta feita pelo agente virtual Nené: - Bem, isso é uma viagem mesmo. Essa vida não pode mesmo ser real, imaginem todas essas constantes hiperbólicas puta que pariu sua praga, escapou é, agora te mato, estão vendo, vem cá possuído, isso não pode ser real, quem tem sete vidas são os gatos, alguém diga para esse jacaré que ele não é um gato. Solta minha mão seu possuído! Enquanto isso, João dava outra pirueta no ar, se desviando de incessantes balas, quer dizer, goteiras. Manel, estava ainda decidindo se ia nadando trabalhar, participava da aula, ou voltava para sua namorada, quer dizer, sua cama!
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Manel, Pedrinho, João e Nené são muito loucos ;) Essa aula foi muito boa, queria que houvessem outras assim. Exercitou muito a nossa criatividade.
ResponderExcluirEssa atividade despertou e muito a criatividade do pessoal. Além disso, ficou claro que, por mais que o primeiro parágrafo fosse feito com todos os integrantes ao mesmo tempo, cada um tinha visão de como a história deveria seguir.
ResponderExcluirAssim, juntar essas ideias diferentes fez com que saísse uma história única (e inusitada).
Essa tarefa realmente foi muito interessante. O primeiro momento em conjunto, e logo depois "cada um por si". Pois ao escrever meu parágrafo estou sozinha, mas preciso antes ler o que meu amigo escreveu, ver o que ele preparou para mim. Nesse momento precisamos confiar que ele vai me passar a bola pensando no objetivo final, que ao fim teremos nossa historia feita por muitas mãos. Então gerava uma expectativa, e depois soltávamos nossa criatividade.
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