sábado, 25 de junho de 2016

Aprendizagem e Desequilíbrio


Na última aula (21/06/2016), iniciamos falando sobre a leitura do artigo "Flexible Virtual Environments for Teaching and Learning" (Leonardo Santos, Alberto Castro e Crediné Silva de Menezes). Cada um havia feito um breve resumo com os pontos que mais chamou a atenção, e a atividade do momento consistia em ler e comentar o resumo de dois colegas, uma revisão por pares. Isto foi o suficiente para ocupar todo o restante da aula.

O professor, um pouco insatisfeito com os comentários lido até o momento, nos instigou a mais... Que devíamos dizer se gostamos muito, se discordamos, expressar nossos pontos de vista, em especial aqueles diferentes do colega. A aprendizagem surge da discussão, precisamos gerar um desequilíbrio em nosso mundo mental para que ocorra a aprendizagem, para que nossos conceitos sejam revistos e confirmados ou alterados e mesmo a geração de novos conceitos possa ocorrer.

Verdade seja dita. É muito fácil tecer um comentário quando se tem uma dúvida, um ponto não ficou muito claro ou há algum "erro" no texto, porém, não ocorrendo uma das situações anteriores, por vezes nos sentimos meio que forçados, tipo "preciso comentar algo...preciso comentar algo, o que comentar?" e ai ficamos procurando algo para dizer.

Desse ponto iniciou uma longa discussão. É possível aprender sem entrar em desequilíbrio?

Seria como pensar em nossa zona de conforto. É possível aprender algo sem sair da minha zona de conforto? Para aprender, tenho de encarar algo que não conheço, algo que não domino, só assim aprenderei, e é ai que ocorre o desequilíbrio, um desequilíbrio que, ao passar, ao nos equilibrarmos novamente, estaremos num patamar superior ao anterior.

Ai veio outra pergunta: As pessoas certamente aprendem sem professor. Concordam?


Sim...


Sim...

Sim...

...

E, se aprendemos sem professores, para que eles existem?

Bem, um professor auxilia na aprendizagem, aponta direções, corrige, avalia, e mais uma série de citações, dentre elas, garantir um nível mínimo de aprendizado.

Em certas situações não se faz necessário garantir que o aluno absorveu 60%, 70% ou 80% do conteúdo, ele aprendeu o que lhe interessava e tem condições de buscar mais informações quando for necessário.

Em contra partida, há situações em que esse tipo de verificação não apenas é necessária como pode gerar situações graves se a avaliação for mal feita. Imaginem um piloto de avião que acabou de se formar mas que, segundo seu exame final, não está apto a pilotar um avião, um motorista que recebe sua carteira mas não está apto a dirigir um automóvel, um engenheiro nuclear que não possui todo o conhecimento necessário para manusear certas substâncias.

Enfim, com tamanho discussão, percebemos uma infinidade de forma de aprender, posso aprender com um professor, numa discussão, na leitura de um livro, ou mesmo na "leitura" de uma placa e em todas elas, entramos ou estamos em desequilíbrio.

No que se refere ao professor, também foi discutido os "acertos de conta". Uma vez que a educação tradicional de hoje tem quase como único objetivo somar pontos para passar de ano, é quase uma moeda de troca, isso sem falar naqueles que já anunciam no primeiro dia de aula que "com ele" não passam mais de 30% da turma.


Bem, é muita informação para uma aula, uma discussão. Há muito ainda que se fazer para uma educação de qualidade, para uma melhor valorização dos professores e professores que de fato mereçam o título, mas uma coisa é certa, precisamos está sempre em desequilíbrio, não parar no tempo.

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