Na última aula (21/06/2016),
iniciamos falando sobre a leitura do artigo "Flexible Virtual Environments
for Teaching and Learning" (Leonardo Santos, Alberto Castro e Crediné
Silva de Menezes). Cada um havia feito um breve resumo com os pontos que mais
chamou a atenção, e a atividade do momento consistia em ler e comentar o resumo
de dois colegas, uma revisão por pares. Isto foi o suficiente para ocupar todo
o restante da aula.
O professor, um pouco
insatisfeito com os comentários lido até o momento, nos instigou a mais... Que
devíamos dizer se gostamos muito, se discordamos, expressar nossos pontos de
vista, em especial aqueles diferentes do colega. A aprendizagem surge da
discussão, precisamos gerar um desequilíbrio em nosso mundo mental para que
ocorra a aprendizagem, para que nossos conceitos sejam revistos e confirmados ou
alterados e mesmo a geração de novos conceitos possa ocorrer.
Verdade seja dita. É
muito fácil tecer um comentário quando se tem uma dúvida, um ponto não ficou
muito claro ou há algum "erro" no texto, porém, não ocorrendo uma das
situações anteriores, por vezes nos sentimos meio que forçados, tipo "preciso
comentar algo...preciso comentar algo, o que comentar?" e ai ficamos
procurando algo para dizer.
Desse ponto iniciou uma
longa discussão. É possível aprender sem entrar em desequilíbrio?
Seria como pensar em
nossa zona de conforto. É possível aprender algo sem sair da minha zona de
conforto? Para aprender, tenho de encarar algo que não conheço, algo que não
domino, só assim aprenderei, e é ai que ocorre o desequilíbrio, um
desequilíbrio que, ao passar, ao nos equilibrarmos novamente, estaremos num
patamar superior ao anterior.
Ai veio outra pergunta:
As pessoas certamente aprendem sem professor. Concordam?
Sim...
Sim...
Sim...
...
E, se aprendemos sem
professores, para que eles existem?
Bem, um professor
auxilia na aprendizagem, aponta direções, corrige, avalia, e mais uma série de
citações, dentre elas, garantir um nível mínimo de aprendizado.
Em certas situações não
se faz necessário garantir que o aluno absorveu 60%, 70% ou 80% do conteúdo,
ele aprendeu o que lhe interessava e tem condições de buscar mais informações
quando for necessário.
Em contra partida, há
situações em que esse tipo de verificação não apenas é necessária como pode
gerar situações graves se a avaliação for mal feita. Imaginem um piloto de
avião que acabou de se formar mas que, segundo seu exame final, não está apto a
pilotar um avião, um motorista que recebe sua carteira mas não está apto a
dirigir um automóvel, um engenheiro nuclear que não possui todo o conhecimento
necessário para manusear certas substâncias.
Enfim, com tamanho
discussão, percebemos uma infinidade de forma de aprender, posso aprender com
um professor, numa discussão, na leitura de um livro, ou mesmo na "leitura"
de uma placa e em todas elas, entramos ou estamos em desequilíbrio.
No que se refere ao
professor, também foi discutido os "acertos de conta". Uma vez que a
educação tradicional de hoje tem quase como único objetivo somar pontos para
passar de ano, é quase uma moeda de troca, isso sem falar naqueles que já
anunciam no primeiro dia de aula que "com ele" não passam mais de 30%
da turma.
Bem, é muita informação
para uma aula, uma discussão. Há muito ainda que se fazer para uma educação de
qualidade, para uma melhor valorização dos professores e professores que de
fato mereçam o título, mas uma coisa é certa, precisamos está sempre em
desequilíbrio, não parar no tempo.

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